sexta-feira, 27 de junho de 2014

Auf-mensch / Θεοτόκε

Ó vós que, do alto das colinas, grita
Homem, vá ser homem na vida
Ó voz que, do centro do vento, clama
Vá ser

Vozes ou vós, quem sabe mais?
Quem aposta no primeiro, saberá o que é a justiça divina
A mão sempre massacra o peito de quem é
Entre o ser e o ter, o evanescer

Ainda me encontro nesse último
Os outros entram em relação com o medo
Medo verbo, sou parte disso também
A mais importante parte para mim
O que posso fazer com isso?

A tristeza, a, ser, tu não a tens
Tu a fazes e fezes
Percebo-me
Ó vós, voz não é do alto

Postergo-me
Tenho que ficar por mais tempo
Adio-me e odeio-me, entristecido
A tristeza não é algo que se tem
Quem é você para ter a tristeza?
Quem é você para ter felicidade ou para ser feliz?

Como você pode querer ter uma ação?
A, tu não és do alto, não mesmo
Se eu fosse do alto, eu ainda queria ser tocando em todos
Não um acima, algo sem tocar, é ilógico, preso só se for às mentiras

Vós não sabeis de algo
É a voz influenciada por vós que sabe
E ela não emana, ela não vem misteriosamente
Não tenho o controle de tudo, mas posso inferir o que virá
Não tenho tristeza, não culpe a vítima, não se vista de vítima

Diante da morte de um pai, cada filho terá uma reação diferente
Terá, até mesmo, aquele que tentará matar de alguma maneira seus futuros amores
Terá o que lutará contra a condição humana ditada por humanos
Terá o que se usará de termos mentalistas
Terá aquele que acreditará em utilidades utilitaristas e não pragmatistas
Terá aquele que se tornará a figura do pai
E todos eles, a, todos eles, que causa o desejo, todos eles, morrerão

Você sente sim o motivo
É para vocês que escrevo
E esse é o único caminho pelo qual ele nunca se sentirá ameaçado
Pois aqui ele brinca com o sentimento deles percebendo pela altura
Por uma altura intocável, uma posição intocável

Vocês sabem bem que isso não se sustenta
E que é uma enorme mentira
Todos sabemos: vós e vozes sabem
Eles criam camadas, assim eles se escondem dos males que fazem
Não há responsabilidade, só há competitividade
Você sabe que eles só querem um líder, e... Derrubar talvez

Diante desses comportamentos inteligentes, eu sou burrinho
E acabo cedendo e sendo sem perceber
E eles me atacam
Não quero reconstruir Mazeppa, isso sempre se repete
Essas coisinhas que se repetem, prestem atenção

Nada disso tu tens, tu comes calado
Mas quem és tu para conjugação diferenciada do uso
Como queres, tu, tocar corações escrevendo com pompa
Isso é escrita de gente medrosa

Porém, revolte-se ou não, não faça o que digo, continue
No alto da colina, eu jogarei sempre bombas para os mosteirentos
Gosto de pessoas que não escondem o odor de pessoa que eles, isso sim, que eles têm
Deixe-me brincar um pouco mais

Não escreverei com rimas bobas
Talvez, em alguma maneira de me ler, você ache alguma rima
Minha musicalidade não é idiota, ela é extremamente exigente de verbos
Não respeite as vírgulas muitas vezes, siga o andamento de sua voz
Acima de tudo e tocável: respeite-se

É natural, é condição humana: se o ser humano diz, não é?
Eu não vou dizer que isso inexiste
Se eles dizem que existe, tudo bem
Mas a partir do momento que me exigem uma posição ou um andamento
Eu faço guerra ou greve de sexo: respeito-me

Como você pode querer ter uma ação?
Você pode fazer, criar; eu aprendi que assim não me deixo apenas repetindo
Há pessoas que escrevem cinqüenta livros sobre a mesma coisa
Há outras que não suportam quando percebem uma repetição
Porém, repito, se se repete, é importante notar

Desço do alto da colina, fui ter com os mosteirentos, uma conversa
Eles me pediram para ser uma conversa
Descendo, pediram-me para ter uma conversa
Eu não me encontro!
Todos eles, e é cada um por si
Todos eles estão separados por jaulas
Esse todos me engloba infelizmente quando não quero ser humano

Toda tentativa parece em vão
Será que estou construindo um caminho errado?
Olho para trás e percebo:
Alguns me seguindo, alguns mosteirentos entre eles
Eles têm essa incômoda mania da adaptação, do oportunismo

E eis que derrubo todos dos meus ombros e os ponho para andar com as próprias patas
Há uma seleção diferente, estudada já, chamada de cultural
Importa mesmo aqui a manutenção da cultura e não do ser humano em primeiro lugar
Mas me roubam a carta e ela parece se ler sozinha
E eu me perco, olhem só a função que estou ocupando
A mesma que destruí antes
Por que vocês acreditam em mim? Pergunta retórica

Vocês querem um pai? Vocês querem o querer do pai
Cada verso não deve ser lido apenas uma vez, nem apenas na ordem que consta
Agora. fechando os olhos, o menino sonha com o menino
Escrevendo com bombas, ele tenta dormir
Mas todos acham que ele tem tristeza
Ninguém se pergunta se o faz ficar triste
A, menino, você sabe que seria mais fácil e mais saudável você tentar achar sua mãe logo

Mas o menino só canta

"Ave Maria
Gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu
In mulieribus
Et benedictus
Fructus Ventris tui, Jesu
Sancta Maria,
Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen"