segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ceci n'est pas un vagin

E aquele corpo que me era?
Cadê?
E aquela voz que me era?
Cadê?
Quem sou eu?

Isso não é como eu esperava que seria
Como ia ser, seria, e eu ria
Não há mais motivos
Há uma diferença entre o que eu queria e o que tenho agora
E o que perdi? Meu Eu, o que perdi?

Nem todos são homens dos girassóis que conseguem viver sem orelha
Não há mulher aqui, e eu, logo eu, heteronormatizei a coisa mais ainda
A bi-polaridade perversa em passivo e ativo; não é assim que a coisa ocorre
Você sabe que isso tenta
Você sabe que isso não sustenta

E a pequena diferença caiu, eu que vi dedo por debaixo de saias
Saia daqui, seu pequeno imundo; e eu queria aquilo em outro
Troquei por onde sai por onde entra errado, não é como pensei que fosse
E as roupas coladas... Elas não trazem tanto prazer assim
Lembro-me dele, meu primeiro amor, de roupas não coladas

Ele tinha o doce jeito de pegar nas minhas mãos
Não sei ao certo o que aconteceu, disseram-me que seria sem volta
Não sou uma mulher, não sangro mensalmente ou quase assim
E sempre quero mais... Ciência, poder...
Se você me der, eu vou querer, eu vou continuar querendo e querendo

Onde estou?
Cadê?
Onde sou?
Cadê
Quem estou?

Broto-me, joelhos por entre vasos, vou vazando e vasando (racha o que é frágil)
Escrevendo, tentando excrever e ezcrevendo com meus zumbidos
Se eu ouvisse as vozes (saberia lidar com isso que tanto queria), se eu tivesse ouvido (papai)...
Depois de um longo passo para a liberdade, percebo (sai-me ciência, poder)
Tudo o que eu queria (percebo o amor) era alguém para construir uma vida junto