domingo, 12 de maio de 2013

Amado é aquilo que o poeta não é


Nenhum poeta é amado
Sabes o que é o amor? Nem sabes
Como dizeis então?
Nenhum poeta é amado
Querem me sugar
Amam-te pelas tuas mortes, ó poeta
Sugam-te por inteiro
Quanto mais tristezas tu mostras
Mais tu és aclamado
Escreva-te como os principiantes dos estudos bíblicos
Usa-te a segunda pessoa do singular de maneira correta
Ou falsamente correta; falseia-te; engana-te
Eles não te amam, meu não querido poeta

Ninguém quer-te-abraçar bem forte
Sabeis bem o que eles querem
Eles querem transa;
Transa; quantos não tiveram delírios?
Delírios em tais acordes de teu corpo
Mas nenhum deles sabe-te-tocar da maneira como deveria ser
E como deveria ser?
Variações e variáveis
Possível ciência
Novos deuses; busca-te o falo sempre
Quantos apenas sonham com um sexo poético?
Uma transa que rompa barreiras;
Mas quando mostramos o sexo, quantos desvanecem?

Tal amor é apenas transa, não é sexo
Não sabeis bem o que é amor
Nunca conhecerás um coração
Mas quem é que mostra o coração senão o bobo
Senão o poeta, senão aquele que escreve
Porém os olhos são inúmeros
E eles querem apenas o sangue já produzido
Não querem produzir sangue contigo
Faça-te e lembra-te
Nenhum poeta é amado
Meu principício é denso
Pelos poetas passam as mais ligeiras pernas
Pelos poetas passam os mais efêmeros ventos

Não te encontro
Não se encontra mais um querer amor que caia na rotina
Não se encontra mais um pênis sem estar na posição ereta
Não se encontra mais uma pessoa com defeitos
Não se encontra mais um poeta amado
Deus errou a mão quando desenhou todos os seres humanos
Estás-tu onde, mãe?

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