domingo, 13 de maio de 2012

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Sinto-te-me com uma saudade imensurável. Sintetizo toda nossa dor com a qual não sabemos lidar. Eis-nos aqui e acolá por chorar. Nossas lágrimas oceânicas e todos nossos amores afogados. Eis-nos diante de teus olhos tão misericordiosos a nos volvei. Pois diante do desterro de quem nunca nasceu, Ninguém sabe lidar muito bem, Ninguém sabe amar muito bem exceto tu. Excetuo-te, pois, sei que a vida é um mergulho profundo com o qual nos afogaremos, perderemos o nosso fôlego e retornaremos recém-morridos depois de tantas pequenas e grandes mortes de pedaços, nossos pedaços, com os quais vão apodrecendo e o câncer contagia.

Não há cura para o câncer da perda, e todos tratamentos sempre serão malogrados, a não ser que você saiba amar outras pessoas. E sei que amor não é apenas saber, nem apenas pessoas. Amor é além disso, amor é além. E sei que, do além, ela me espera. Eu que voltarei sem fôlego. O corpo surgindo do mar. E eu vou brotando para ela me acolher, pois só ela sabe me acolher.

Meus cabelos pretos dançam de lágrimas. Só vai entender a vida quem souber dançar a dança das lágrimas. Nossos amores afogados... Mas eu me afoguei em outros mares? Não sei... Só sei que broto no, do e p’ro Oceano no, do e para os braços dela que estavam me esperando há tempos em cima do Oceano. Quem está em cima não vê o que ocorre em baixo com muita clareza e vice-versa. Não há muita clareza na vida. Nem na morte. Nem nos meus cabelos pretos.

A todas pessoas que são deixadas de lado, a todas crianças sem pais nas festinhas escolares que esperam seus pais e os mesmos não aparecem pois nunca lá estão, a todas pessoas que sofrem de verdade com o amor, a todas pessoas que sabem dançar a dança das lágrimas, a todas pessoas que são pétalas soltas, desgarradas da flor, a todas essas pessoas, meu mais sincero amor, minha mais, sem cera, felicidade de poder estar junto... Enquanto escrevo, meus dedos tremulam. Enquanto vocês foram escritos, algo tremulou. Nascemos do tremer, viveremos tremendo, viverei para quem treme, pois eu tremo numa freqüência epiléptica eterna para toda e para nada eternidade e não eternidade. Só sentirá minhas vibrações quem foi de lado, quem foi de cantos, quem sabe cantar e quem sabe dançar a dança das lágrimas.

Sinto-te-me os corações batendo. Entregaram-me uma flor de treze pétalas. Peço desculpas por ter desgastado ao logo do meu caminho. Meu caminho vida-morte morte-vida. Espero ansiosamente pelos braços dela que para com quem sem braços retorna a abraçar.

Eis-nos aqui em lágrimas devagar lendo nossos olhos. Não há vagar, mas muitas vagas para quem devagar ler. Vagas em espaços invisíveis assim como as lágrimas dançantes nos nossos olhos que há muito tempo não são lidos com amor e carinho por outros olhos.

Aos poucos... Vou emergindo...

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