sábado, 20 de novembro de 2010

O morto-vivo

Escrevendo, cada letra uma lágrima nova
Essas páginas estão impregnadas com o meu sangue
O cheiro da vida velha querendo mudar de forma
Ele não sabe mais como vive
Se está vivo ou morto
Ele pede luz, a luz que roubaram dos olhos dele
Onde estarão os elfos que construiram a casa dele?
Onde estará ele?

É um novo dia, com velhas recordações
As memórias que permanecerão para sempre
Pois estão em cada tijolo da construção dele
Mas ele é tão quebrável, mesmo não querendo
Que os anjos o abençoe,
Que Nossa Senhora o cubra com o manto sagrado
Mas onde ele está agora?
Ele perdeu-se por aí. Não agüentou a realidade

Ele se foi de mim, estou sozinho agora
Eu não consigo mais pensar em nada
Tenho que ficar eternamente pensando em algo
Sem paz de espírito, por não ir à igreja
É só isso que a igreja dá
Todos precisamos de luz
Todos precisamos de amor
O amor que eu não tenho mais

Ele não me ama mais
Ele era eu
Eu faço parte dele
Dele faz parte de ti
Ti está em todos nós
Todos nós estamos juntos
Juntos para sempre
Sempre no eterno nunca

Somos todos cheios
Cheios de vazio.
Acho que isso é um bom início
Um bom início para o fim.
Pois tudo está terminando
Terminando para reiniciar.
E o reinício é o caminho
O caminho para a eterna vida...